Educação Ambiental no Parque Natural Municipal Morro José Lutzenberger

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Na manhã de sábado, 1º de outubro, a AMA – Associação Amigos do Meio Ambiente e o Colégio Estadual Augusto Meyer realizaram atividades de Educação Ambiental no Parque Natural Municipal Morro José Lutzenberger.

O encontro teve início no Píer da Av. João Pessoa, onde 20 estudantes da turma 304, acompanhados do professor Lugon Lewandowski, juntaram-se aos integrantes da AMA, o Biólogo Tomaz Casadio e o Engenheiro Ambiental Eduardo Raguse. Olhando para o verde do Morro, o grupo relembrou o processo de criação desta Unidade de Conservação (UC), da qual os estudantes tiveram grande participação ajudando a lotar a Câmara de Vereadores de Guaíba nas históricas audiências públicas realizadas, reivindicando seu direito ao lazer e à complementação de seu ensino escolar junto a um ambiente natural. Rememoraram também a vida de José Lutzenberger e as lutas do ambientalismo gaúcho, dentre elas, os quase 45 anos de luta para que os processos de produção de celulose na zona urbana de Guaíba degradem menos a qualidade do ambiente e representem menos riscos à população, questões que, devido à quadruplicação de sua capacidade produtiva, voltam a impactar o dia a dia dos moradores e dos estudantes. A Escola Augusto Meyer é uma das mais afetadas pelo odor e pelos particulados oriundos da empresa, tendo em vista estar no caminho da direção predominante dos ventos.

 

Encontro no Pier, com o Morro como moldura da paisagem

Após este momento, a turma se deslocou até o Parque pela Rua 7 de Setembro, já observando espécimes da flora como o Cipó-de-São-João (Pyrostegia venusta) espécie nativa com alto potencial ornamental devido à suas abundantes flores alaranjadas e o Maracujá-de-Estalo (Passiflora elegans) espécie frutífera ameaçada de extinção (a área possui mais de 250 espécies de flora nativa). Observaram com espanto as grandes estruturas das casas que têm como fundos a área da UC, bem como encontraram alguns matacões que rolaram até a calçada devido à ação das chuvas e da falta de cobertura vegetal de algum ponto da encosta do Morro. Conheceram também a antiga “Bica da Sete de Setembro” local onde a população buscava água pura para beber e que hoje está desativada, restando apenas parte de sua estrutura original.

pyrostegia-venusta-flowers

Cipó-de-São-João (Pyrostegia venusta)

Maracujá-de-Estalo (Passiflora elegans)

Adentrando uma das trilhas era possível ouvir comentários sobre a temperatura mais branda sob a vegetação, sobre os sons mais abafados da cidade dando lugar ao vento e às aves, e sobre o cheiro do mato, que fica mais perfumado na primavera. Em cerca de 20 minutos, passando pela mata em estágio avançado de sucessão, os estudantes chegaram à nascente que dava origem à água da Bica da Sete de Setembro. Próximo ao local foi visualizado um ninho, provavelmente, do pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros) ou do picapauzinho-verde-carijó (Veniliornis spilogaster).

Estudantes na trilha da nascente

Estudantes na trilha da nascente

Gurizada animada!

Gurizada animada!

Ninho de alguma das espécies de pica-pau do Parque

Ninho de alguma das espécies de pica-pau do Parque

O Morro serve como importante refúgio para a fauna residente e migratória, sendo local de reprodução e nidificação, foi registrado até o momento 48 espécies de aves, são 17 espécies potenciais de anfíbios, 27 de répteis e 9 de mamíferos. Deve-se ainda estudar as espécies de invertebrados presentes a área, a AMA está realizando o estudo das comunidades de abelhas e vespas do Parque, que tem como objetivos identificar as espécies, e seus inimigos naturais, estimar sua riqueza e abundância sazonal, determinar sua razão sexual e taxa de mortalidade e verificar sua atividade de nidificação. É sabido da fundamental importância das abelhas como polinizadores, bem como do drástico declínio nas suas populações nos últimos anos, neste sentido urgem ações de pesquisa e de manejo que preservem estes organismos.

Na volta da trilha, ao chegar ao acesso à área de mata localizado na Rua Rodolfo Zenker, as alunas e alunos, que proativamente levavam consigo sacos de lixo para fazerem um mutirão de recolhimento, se depararam com a grande quantidade de resíduos jogados sistematicamente ali, eram roupas velhas, lâmpadas fluorescentes, garrafas de bebidas, restos de podas, componentes eletrônicos, restos de alimento entre outros. Perceberam que seria necessário muito mais do que o material que possuíam para limpar o local, combinaram então em recolher o que encontrassem dentro do Parque, recolhendo assim resíduos de mais difícil acesso.

Resíduos encontrados

Resíduos encontrados

Mutirão de limpeza

Mutirão de limpeza

Lâmpadas e resíduos eletrônicos encontrados

Lâmpadas e resíduos eletrônicos encontrados

Para encerrar, o grupo foi até as ruínas da residência que teve sua obra embargada pela justiça em 2002 a partir de denuncias da AMA, por não ter licença ambiental e ter desmatado e realizado um grande corte no terreno. De lá é possível observar o Lago Guaíba, a Ilha das Pedras Brancas, e o panorama de Porto Alegre (do Delta do Jacuí até além da Ponta Grossa), compondo uma vista de indiscutível beleza cênica.

Vista desde o Morro José Lutzenberger

Vista desde o Morro José Lutzenberger

Desta manhã ficam as experiências pessoais de cada participante, para a aluna Cristione Martin os sentimentos se conflitam: “fizemos uma trilha maravilhosa, na companhia dos amigos e da natureza, porém com um triste intruso chamado poluição“, já o estudante Eduardo Rosa faz o chamado para o engajamento: “esta vivência foi mais do que um simples passeio lúdico pedagógico, foi um abraço a uma causa, que é a defesa do patrimônio natural da nossa cidade.”

Os estudantes deixaram o Morro um pouco mais limpo, e a certeza de que é preciso conhecer mais e ocupar positivamente este espaço público, e continuar a luta para consolidar sua proteção e seu cunho socioambiental, de educação ambiental e histórica, de lazer em contato com a natureza e de um turismo ecológico e inclusivo.

Turma 304 do Augusto Meyer

Turma 304 do Augusto Meyer

Fonte: ASCOM AMA

Fotos: Tomaz Casadio e Eduardo Raguse

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