Solicitado o Tombamento do Marco Farroupilha

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No dia 20 de outubro a sociedade civil de Guaíba organizada através da AMA – Associação Amigos do Meio Ambiente, ABA – Associação dos Moradores do Balneário Alegria, Movimento Pró-Cultura, e AMBA – Associação dos Moradores do Bairro Alegria protocolaram, na Secretaria Estadual de Cultura (para ser remetido ao IPHAE – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do RS) pedido de tombamento do Marco Farroupilha.

Abaixo seguem os principais pontos, apresentados pela AMA para justificar o tombamento:

  • O referido Bem Cultural marca o lugar de onde os Farroupilhas, liderados por José Gomes de Vasconcellos Jardim, partiram na noite de 19 para 20 de setembro de 1835, em direção a Porto Alegre, com o objetivo de tomar a Capital;
  • O referido Bem Cultural indica também o local da antiga Charqueada da Alegria, oriunda do fim século XVIII, construção que abrigou os Farroupilhas em 1835;
  • A tomada da Capital deu início a mais longa luta armada entre Farroupilhas e Imperiais, durante o Período Regencial Brasileiro;
  • O Monumento como marco histórico foi erigido e mantido às margens do Guaíba, Balneário Alegria, por preservação da continuidade da memória dos filhos e netos do líder Farroupilha Gomes Jardim;
  • A existência do Monumento e seu lugar de memória embasaram a pesquisa histórica e a justificativa para que o município de Guaíba fosse reconhecido por unanimidade, com o título oficial de: “Berço da Revolução Farroupilha”, tanto por parte da Câmara de Vereadores – PL nº 041/2010, como da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul – PL nº 25/2009;
  • Há a necessidade de salvaguarda do Marco Farroupilha por estar sofrendo impacto direto da Empresa Celulose Riograndense, pois o mesmo está a uma distância aproximada de dois metros da cerca que o limita com a área da empresa (o projeto de ampliação da empresa provocou danos aos vestígios dos alicerces da antiga Charqueada da Alegria, oriunda do fim século XVIII);
  • Ao longo do tempo, o Monumento é visitado pela comunidade local, (escolas, universidades, tradicionalistas, maçonaria) além de habitantes de outras cidades, estados e países os quais objetivam conhecer e estudar o referido Patrimônio em seu contexto histórico, cultural e ambiental;
  • Ao longo de décadas, o poder municipal tem falhado quanto à valorização e a preservação do Marco Farroupilha e seu significado, deixando-o no abandono e sem acessibilidade adequada, fatores estes, que não inibiram a comunidade local e visitante de buscar conhecê-lo através de iniciativas próprias;
  • Por fim, consideramos que a relevância histórica e cultural do Marco Farroupilha ultrapassa os limites político-administrativos do município de Guaíba.

Além destas justificativas a ABA também apresentou considerações graves a cerca do contexto atual em que se encontra este Bem Cultural:

“Com o passar dos anos, o poder municipal tem tratado com descaso a valorização e a preservação do Marco Farroupilha e seu significado, hoje em completo abandono e sem acesso adequado, o referido monumento conta somente com a tentativa de preservação por parte dos moradores do bairro, que com ações voluntárias tentam resgatar a dignidade e importância do local para história do Estado do Rio Grande do Sul, e o serviço turístico local sequer menciona o Marco, quanto menos inclui sua visita no roteiro oferecido a quem vem de fora ou aos estudantes que frequentemente fazem uso deste serviço, por seu caráter educativo.

Não podemos deixar de mencionar que com o projeto de quadruplicação da empresa chilena de celulose CMPC, e a equivocada visão de desenvolvimento, coloca em risco a segurança do Marco Farroupilha, pois a empresa avançou sua área física em direção ao monumento histórico.

A comunidade local já procurou o poder público para tratar desse assunto e ouviu em reunião por parte do prefeito (Henrique Tavares), o desejo de transferir o monumento para o centro da cidade, ao lado do terminal hidroviário (por onde chegam a maior parte dos turistas), descaracterizando assim o propósito da construção do monumento histórico no local onde está inserido.

Como pode um monumento desta importância histórica, em um estado tão orgulhoso de seu passado e suas tradições, numa cidade que ostenta a bandeira de precursora deste evento, estar esquecido pelas autoridades?

A Associação dos Moradores do Balneário Alegria têm realizado ações juntamente com a comunidade guaibense para tentar impedir as más intenções do poder público em tirar de seu povo um dos símbolos mais importantes da história dos farrapos. Mutirões de limpeza do local e retirada de lixo para tentar criar acesso ao monumento têm sido realizados com frequência por parte dos moradores.

No último dia vinte de setembro do corrente ano, foi realizado evento promovido pela ABA, “Chimarreando junto ao Marco Farroupilha”, com divulgação em redes sociais. Tal iniciativa foi bem recebida pela comunidade que compareceu para prestigiar o evento, sendo noticiado em imprensa local.

Os moradores do Balneário Alegria, em sua maioria são descendentes dos primeiros habitantes do local, com grande carinho e amor as suas tradições, sentem-se ameaçados e desprezados como nativos desta terra.”

Marco Farroupilha. Fonte: pampalivre.info

 

 

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