Proteção à fauna e podas drásticas são pautadas pela AMA no COMMEA

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Na última reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Guaíba – COMMEA, realizada em 5 de julho, foi pautada pela AMA, a proteção da fauna que habita o paço municipal, e as podas e supressões vegetais realizadas na arborização urbana pela equipe da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente – SMAMA.

Preocupação com a fauna do Paço Municipal

No Paço Municipal da Prefeitura de Guaíba localiza-se um açude, onde, ao longo dos anos a vegetação do local se desenvolveu, tanto no entorno quanto no próprio açude, aumentando a complexidade deste ambiente, atraindo e propiciando abrigo e fonte de alimento para fauna. Hoje a área abriga diferentes espécies, com especial destaque para espécimes de Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) e de avifauna, como a Garça-branca-grande (Ardea alba) e a Caraúna-de-cara-branca (Pleadis chili).

Tendo em vista que o cercamento desta área apresenta avarias que permitem o deslocamento dos Jacarés pela via de trânsito, expondo-os, por exemplo, ao risco de atropelamento, foi aprovado pelo COMMEA o uso de recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente para a instalação de novo cercamento, com o intuito de proteger a fauna, conforme demanda da SMAMA.

Porém, a própria SMAMA, realizou o que tem chamado de “limpeza” na vegetação do local, sem a menor avaliação de impacto à fauna, sem acompanhamento de profissional habilitado, desconsiderando inclusive um parecer técnico elaborado por especialista em fauna da Prefeitura, que apontava relevância ambiental da área para a fauna.

A AMA solicitou à SMAMA que qualquer intervenção na área considere as especificidades que esta apresenta em termos de habitat de fauna e que realize diagnóstico e monitoramento da área para avaliar os impactos da intervenção realizada. O Secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Selito Carboni, afirmou que nenhuma supressão vegetal voltará a acontecer na área do açude e que o cercamento será realizado assim que as obras da rótula for concluída (com previsão para agosto), para evitar que o cercamento seja danificado. O Conselho demandou que a SMAMA apresente relatório conclusivo quanto ao impacto ambiental que as ações causaram sobre a fauna local. A AMA continuará acompanhando o caso para certificar-se do cumprimento das promessas.

Foi aprovado a criação de um Grupo de Trabalho, composto pela AMA, ULBRA, Secretaria de Educação – SME, Secretaria de Comunicação e Ação Social – SMCAC e SMAMA, para monitorar a população de Jacarés-de-papo-amarelo, inclusive com ações de Educação Ambiental voltadas à conservação da fauna.

Caiman latirostris habitante do açude – Foto: Lisiane Becker

Registro realizado após o corte da vegetação por parte da SMAMA

 

Caraúna-de-cara-branca (Pleadis chili) – Fonte: biolib.cz

Socó-dorminhoco (Nycticotax nicticoax) – Fonte: wikimedia.org

Garça-branca-grande (Ardea alba) – Fonte: wikimedia.org

A absurda poda da SMAMA

Desde o início do ano a Prefeitura Municipal de Guaíba, através da SMAMA tem realizado o que chamam de “limpeza” na vegetação urbana. Estas ações resultaram inclusive em Auto de Infração emitido pela FEPAM – Fundação de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler, à Prefeitua, devido à falta de licenciamento ambiental para a supressão de vegetação nativa a Área de Preservação Permanente do Lago Guaíba. (leia mais na matéria).

Além das supressões, também foi feita uma grande ação de podas. Durante a reunião do COMMEA a AMA apresentou duras criticas às praticas empregadas pela SMAMA, tais como:

  • Podas realizadas durante os meses de verão e começo do outono. Tais podas não respeitaram o período de dormência dos vegetais, que variam conforme a fenologia de cada espécie, mas que predominantemente ocorre no inverno;
  • Realização de podas drásticas (em muitos casos com remoção total das copas);
  • Falta de critérios adequados na escolha das técnicas de podas, em relação ao resultado esperado, espécie, localização do indivíduo. Foram realizadas muitas podas drásticas em árvores que não apresentavam conflito algum com equipamentos urbanos (como rede de distribuição de energia ou sistema viário), dando a entender que foram podadas simplesmente pela cultura equivocada da realização de podas anuais;
  • Podas mal executadas, resultando em galhos quebrados, cascas rasgadas. Situações que expõem os espécimes à umidade e incidência de doenças, fungos e insetos, impactando suas condições fitossanitárias, promovendo apodrecimento do lenho e consequentemente os riscos de quedas de galhos e diminuindo a longevidade das plantas;
  • Falta de diálogo e desrespeito com a população em relação às intervenções realizadas;
  • Manejo ineficiente de parasitas e hemi-parasitas como a Erva-de-passarinho;
  • Desrespeito total à arquitetura das copas, e às especificidades de cada espécie;
  • Foi solicitado expressamente ao Secretário da SMAMA, Selito Carboni, e que inclusive repassasse ao Prefeito José Sperotto, para que os gestores deixem de utilizar o termo “limpeza” ao referirem-se ao que deveria ser o manejo da arborização urbana. O uso deste termo presta um desserviço à Educação Ambiental da população, uma vez que diz perpetua a ideia de que se há vegetação o local esta sujo, incentivando inclusive a disposição irregular de resíduos nestes locais. Vegetação não se “limpa”, vegetação se maneja obedecendo critérios técnicos!

A AMA se colocou à disposição para orientar a equipe de podas da Prefeitura, a cerca das boas práticas desta ciência, e como forma de prática, irá verificar a maneira mais adequada de manejar um espécime de Plátano localizado na Av. Sete de Setembro em frente ao número 155, que está com infestação de Erva-de-passarinho.

Em reuniões anteriores o COMMEA aprovou a aquisição de equipamentos para a execução adequada do manejo da vegetação do município, a AMA cobrou que as mesmas deveriam ser feitas cumprindo com rigor os procedimentos técnicos adequados, o que não vem ocorrendo. Continuamos acompanhando os trabalhos a SMAMA e coletando indícios para encaminhar aos órgãos competentes pela fiscalização ambiental e do exercício de profissionais, tendo em vista que o Conselho Municipal de Meio Ambiente não tem sido ouvido pelo Executivo Municipal.

Se você tem fotos e relatos sobre manejo inadequado da vegetação de Guaíba encaminhe as informações para o e-mail amaguaiba@gmail.com, garantimos a preservação das identidades.

 

  • Poda com galho lascado sem o devido acabamento

    Galho lascado

     

    Poda com galho lascado, dificultando a cicatrização do corte

     

    Galho de grande dimensão e em perfeito estado foi podado com péssima execução, lanscando a casca da Timbaúva (Enterolobium contortisiliquum) localizada na Av. Getúlio Vargas, em frente à Área Verde

     

    Supressão de indivíduo sadio de Timbaúva, em frente ao Fórum

    Solo exposto por retirada de vegetação no talude da Rua Quatorze de Outubro, no terreno da Igreja Nossa Senhora do Livramento

     

    Podas de 100% das copas, feitas fora de época, em muitos casos as árvores não apresentavam conflito com equipamentos públicos, não houve remoção total dos haustórios (raízes especiais que retiram água e sais minerais da árvore hospedeira) das ervas-de-passarinho (que possivelmente irão rebrotar). Alguns indivíduos não sobreviveram.   

    Alguns relatos de moradores:

      

     

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