AMA questiona supressão de árvore centenária

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Na manhã de terça-feira, 29 de agosto, a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (SMAMA) erradicou um eucalipto-cheiroso (Corymbia citriodora) na Praça da Igreja Nossa Senhora do Livramento, às margens da Rua Gaspar Martins. A árvore, segundo relatos de moradores locais, tinha mais de cem anos, representava forte vínculo afetivo e cultural com a comunidade daquela região e aparentava estar em bom estado fitossanitário.

A AMA entende que a supressão de qualquer árvore nessa área precisa ser avaliada criteriosamente pelos órgãos competentes. Conforme determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), por estar dentro do entorno imediato da “Casa de Gomes Jardim”, que é um bem tombado como Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul, toda a atividade que causar alteração na paisagem (construções de prédios, plantio ou supressão de espécies vegetais) deve ser avaliada por um grupo multidisciplinar de profissionais de várias áreas do conhecimento científico (biologia, arquitetura, história e afins).

Quanto a importância do eucalipto, pode-se dizer que ele faz parte da “paisagem cultural” daquela região, não fosse isso, não haveria tantas manifestações de pessoas reportando o seu sentimento em relação à árvore. Esse é um processo espontâneo da comunidade, construído ao longo do tempo, onde as gerações que se sucedem encontram um significado comum nessa convivência com a natureza. O melhor exemplo que temos para isso tornou-se símbolo do município: o Cipreste Farroupilha. O eucalipto em questão é uma árvore centenária, plantada ainda no período em que a cidade era o Distrito de Pedras Brancas. Tal fato coincide com o período em que foram plantados os primeiros eucaliptos na região.

Em relação aos possíveis riscos de queda, esses devem ser considerados, também, através de avaliação fitossanitária e de estabilidade no talude. Assim, deveria ter sido montado um processo com regramento jurídico e técnico para uma tomada de decisão entre o poder público municipal e estadual, com o conhecimento do IPHAE. Portanto, cabe a Prefeitura apresentar, agora, a documentação do processo com as devidas justificativas para a supressão do espécime.

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