CMPC desmarca reunião e deixa comunidade sem resposta, e FEPAM se nega a participar de diálogo

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Foto do morador Rafael Batista Oschelski

Na primeira reunião de trabalho para busca de resolução dos impactos socioambientais da CMPC em Guaíba, foi discutida a questão dos altos níveis de ruído emitidos pela fábrica, que tem atingido a comunidade do entorno dia e noite. Como encaminhamento foi proposto que a empresa arcasse com os custos de um monitoramento de ruído, onde a comunidade escolheria empresa a ser contratada e determinaria os dias, horários e locais de medição, buscando assim produzir dados que representassem a situação vivida pelos moradores. A CMPC não concordou com os termos apresentados na reunião e solicitou prazo para dar sua resposta. O acordo foi que na segunda reunião, marcada para o dia 18 de dezembro a empresa informaria sua decisão. Porém no dia 13 de dezembro a empresa comunica a impossibilidade de participação na reunião na data marcada, solicitando seu cancelamento, e disponibilizando-se a partir do dia 26 de dezembro.

Buscando ao menos o retorno quanto à resposta que a empresa se comprometeu em dar, dentro de 10 dias, entramos em contato com a assessoria da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, e fomos informados que não houve retorno algum da empresa. Bem como nos foi comunicado que a Assessoria de Gabinete da SEMA – Secretaria do Ambiente de Desenvolvimento Sustentável, informou que a Secretária Ana Pellini não disponibilizará representante da FEPAM para participar da mesa de diálogo estabelecida por entender que “o regramento, condições e restrições constam no licenciamento ambiental do empreendimento”.

Avaliamos como muito graves os posicionamentos da empresa CMPC e da Secretária Ana Pellini frente a relevância deste fórum instituído, por tratarem-se de questões ligadas à altos impactos socioambientais na região metropolitana da capital, e à saúde pública de uma comunidade que terá que passar mais um natal e ano novo sob barulho, odores e emissões atmosféricas. Entendemos como um desrespeito, ao movimento ambiental, ao Ministério Público, e principalmente à comunidade e à Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul que esta acolhendo e mediando este conflito, justamente em função de não se ter conseguido resolução pelas vias do licenciamento ambiental ou mesmo do Termo de Compromisso Ambiental firmado.

Continuaremos a acompanhar e pressionar para que os impactos sejam de fato sanados, e, tendo em vista declarações recentes do diretor-presidente da CMPC, Hernán Rodríguez Wilson, de que a produção de celulose pretende se expandir em solo gaúcho, deixamos o alerta para que as comunidades que venham a receber propostas de instalação de novas plantas de produção de celulose e plantios dos monocultivos de eucalipto em seus territórios estejam preparadas para estabelecer um contraponto muito consistente desde o início do processo, e não acabem na mesma situação que os moradores de Guaíba, que hoje podem atestar que, de fato, a celulose é uma fraude.

AMA – Associação Amigos do Meio Ambiente

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